quarta-feira, 11 de junho de 2008

Contra a autoridade, Liderar! Liderar!

Contra a autoridade, liderar! liderar!...
De 2 a 6 de Junho decorreu no Hotel Terceira Mar em Angra do Heroísmo um curso denominado “Liderança para o Século 21” promovido pela Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento com o subsídio inevitável do Governo Regional dos Açores e o pagamento de propinas por parte dos alunos. A entidade responsável pelo curso foi a Harvard Kennedy School tendo como docentes os professores Maxime Fern, da Austrália, Hugh O’Doherty, da Irlanda do Norte e Marty Linsky, dos Estados Unidos.
Os cinquenta participantes foram escolhidos de entre duzentos e tal candidatos. Em termos geográficos vinte vieram de Lisboa, onze da Terceira, nove de São Miguel, quatro do Porto, e três de outras regiões do país. Trinta e um vieram de entidades privadas, sete de universidades, sete do Estado e dois de outras instituições. As idades variavam entre vinte e poucos e cinquenta e muitos, e havia cerca de um terço de senhoras para dois terços de homens. Alguém questionou sobre o critério de selecção mas o importante foi encontrar uma representação criativa da população portuguesa naturalmente um pouco enviesada para os locais em que o curso estava mais acessível.
O curso foi um choque permanente. Primeiro, com a leitura do livro “Leadership on the Line” percebemos que liderança tem mais a ver com o testemunho de São João Baptista do que com a autoridade de Herodes, muito mais a ver com aqueles que arriscam para mudar o mundo e as organizações, do que com aqueles que procuram manter as coisas quando estão em cargos mais ou menos proeminentes. Segundo, ao longo do curso, fomos entendendo à custa de todos que tínhamos mais a aprender com os nossos próprios erros, nas tentativas de mudarmos os grupos com quem interagirmos, do que com a emissão e recepção de slides e discursos. Terceiro, depois de voltarmos aos nossos sítios, registámos a dificuldade de começar a implementar os processos de liderança e risco capazes de mudarem o mundo para melhor.
Mas o que é que nos impede de mudar o mundo, se é para melhor? O problema é que, embora as pessoas e as instituições não sejam contra a mudança, são naturalmente contra as perdas que as mudanças sempre criam. E por isso tratam de anular as atitudes de liderança adaptativa através da marginalização, da diversão, do ataque e da sedução. É o caso sintomático da liberalização dos transportes aéreos para São Miguel e para a Terceira onde uns tantos, que temem perder benefícios e poder, procuram marginalizar quem defende a mudança da regulação, buscam divergir para assuntos paralelos como declarações de princípios de características totalitárias, atacam com ironia quem sugere o estudo de soluções de regulação alternativas, e seduzem com sabedoria aqueles que teriam mais fundamentos para defender a liberalização.
Face a tanta adversidade por parte de quem exerce autoridade como é possível provocar a mudança necessária através de uma liderança adaptativa? A técnica que os docentes de Harvard propuseram ajuda-nos a perceber um pouco porque razão os sistemas humanos resistem às mudanças; mas também nos indicam a forma de ultrapassar essas restrições. Por um lado há que definir como de costume os problemas, os objectivos e as acções – como nos ensina qualquer manual de desenho de projectos. Por outro lado, e mais importante, é fundamental explicitar os objectivos velados que nos impedem de avançar com as acções necessárias, e perscrutar os riscos que corremos se as acções forem de facto avante. No caso dos transportes aéreos o problema é a falta de acessibilidade das ilhas, o objectivo é a garantia dessa acessibilidade a preços comportáveis e a acção seria liberalização dos transportes para São Miguel e terceira em vez da concessão de monopólios de serviço público. No entanto, se formos perspicazes, percebemos que o objectivo subjacente à não liberalização é evitar a falta de competitividade de companhias de bandeira e resistir à transferência da plataforma de distribuição regional de São Miguel para a Terceira ou para o Faial. A solução revolucionária que nos apontaram resume-se à máxima, se possível cantada, “contra a autoridade, liderar! liderar!.. com desígnio e persistência”

3 comentários:

Leader disse...

Quem é o autor deste profundo e acertivo comentário?
Tenho as minhas suspeitas mas ...
Miguel Carvalho

Leader disse...

Peço desculpa, pensei que o blog era como um email e não carecia de assinatura. Sou o Tomaz Dentinho.

Leader disse...

Caro Tomaz, o tema da liberalização dos transportes aéreos, bem como muitos outros de extrema importância na economia Açoriana, necessitam que tenhamos uma atitude efectiva de Liderança. Um abraço, Francisco Fernandes Gil